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Citações Internet é algo que sobra aos “leitores”. Acusáveis de parcialidade, citemos exemplos de autores mais “naturalmente imparciais”. Em: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/343683 podemos ler: “Há quase três décadas que não víamos o que se passou esta semana um pouco por todo o país: filas gigantescas de automobilistas em frente às bombas de gasolina para obter um pouco de combustível que permita manter em funcionamento as respectivas viaturas. (…) Dentro deste universo, há clivagens. Predominam as micro empresas, algumas delas só com um trabalhador, e entre as 8500 empresas associadas da ANTRAM, apenas 4,2% operam com 20 veículos ou mais, enquanto quase 6000 trabalham com menos de cinco veículos. Ora são obviamente estas que mais dificuldades têm para suportar o aumento do preço dos combustíveis (o preço do gasóleo duplicou nos últimos quatro anos, mas só desde Junho de 2007 subiu mais de 40%!).” (1) Desde há mais de 30 anos que inúmeros especialistas alertam para dois problemas básicos: os alimentos e a energia. Quanto aos alimentos, voltemos à Internet, no caso português: “Um péssimo sinal dos tempos que situa Portugal como um país que perdeu uma identidade própria, diz respeito ao estado da agricultura nacional. Descrevo os dados do INE: Apenas 16 por cento das necessidades são colmatadas pela agricultura portuguesa. O país importa mais de 90 por cento do trigo e de cevada, cerca de 70 por cento do milho e mais de 60 por cento do centeio. Há 18 anos, os campos nacionais de cereais e arroz produziam quase metade do que os portugueses consumiam. Actualmente (treze anos depois), a produção destes produtos diminuiu, cobrindo apenas 27,4 por cento do consumo anual. Há quase duas décadas, os portugueses produziam mais de metade das leguminosas secas necessárias. Em 2003, 87 por cento era importado. Ora, olhando para estes extraordinários números, não é difícil percebermos que, também na agricultura (reforço o também, pois estou a lembrar-me do estado da educação em Portugal), os diversos governos que nos lideraram não tiveram, nunca, a capacidade de negar as tentações programáticas vindas de Bruxelas. Por isso, em vez de campos agrícolas (temos, provavelmente, o melhor clima agrícola da U. E.), fabricamos campos de golfe (temos, provavelmente, o melhor clima turístico da U. E.) e projectos de interesse nacional, os famosos PIN. “ (2) Em vez de procurar ver o Sol e “descobrir” a importância dos combustíveis alternativos aos derivados do petróleo, andamos entretidos com novos aeroportos, quando se sabe que o tráfego aéreo terá de diminuir, pelos custos que tem. Do “TGV” falei aqui há muito: exemplo de “violência do poder”, disse. A continuar assim, não teremos planeta muito tempo, e pelo caminho, novas “maravilhas” nos esperam. “O Conselho Europeu dos ministros do Trabalho e dos Assuntos Sociais que aprovam uma proposta de directiva, que permite aos Estados-membros alargarem o limite do horário semanal de trabalho até às 65 horas (contra as 48 horas actuais). (…) Para quem esperava que fosse ao contrário, que fosse o mundo asiático a adoptar os padrões europeus, a prova está feita. E também é interessante ver como a Organização Mundial de Comércio é cúmplice desta evolução. Quanto a Portugal, más notícias. O nosso horário laboral de 40 horas não vai resistir a esta nova vaga. Vamos trabalhar mais pelo mesmo dinheiro.” (3) Em relação à população, dois dados: em 2007 faleceram mais pessoas do que nasceram, em Portugal! O mesmo “Expresso” diz, na edição de 12/07/08, p.20: “A nódoa negra europeia está na iliteracia. Um quarto dos jovens não sabe ler ou interpretar o que lê”. Promover a Educação, travar esta “globalização”, apostar na produção de alimentos, seria a resposta mais elementar à situação do planeta e por isso de Portugal. Nicolau Santos, “Expresso”, link citado (também na nota (3)) http://rescivitas.blogspot.com/2008/05/importao-de-alimentos.html Carlos Mota, UTAD, Vila Real. |