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A Propósito da “Saudade” Carlos Mota A polémica a respeito da saudade, entre António Sérgio e Teixeira de Pascoaes, ficou registada na 2ª série da Revista Águia. Esta revista teve como grande impulsionador Álvaro Pinto, que de Dezembro de 1910 a Julho de 1911 dinamizara a sua 1ª série. Na sequência da Revolução Republicana (5 de Outubro de 1910), numa atmosfera de progresso e optimismo apareceu a “Renascença Portuguesa.” A Renascença era um movimento cultural e cívico, marginal em relação a partidos e forças políticas, pretendendo pôr ao serviço da regeneração nacional as mais lúcidas inteligências portuguesas. Foi esta sociedade que publicou a 2ª série da Revista Águia de que saíram 118 fascículos, bem como o quinzenário “A Vida Portuguesa”; fundou ainda cinco universidades populares. A polémica que referimos passa pelos textos onde foi escrita, embora os ultrapasse, porque os dois autores são muito maiores que ela própria. Na “Epístola aos Saudosistas”, refere Sérgio ser necessário esclarecer: - O que é a saudade; - O que representou nas nossas letras; - O que poderia representar hoje. Pascoaes sustenta que a saudade é “a velha lembrança gerando um novo desejo”. Ora, segundo esta definição, um cão espancado por um humano, ao rever essa pessoa, passados tempos, tem um “desejo de sentir a carne do agressor comprimida entre os seus caninos.” Que se passava? Para Sérgio fora a saudade, na definição proposta por Pascoaes. Ainda hoje, já no Século XXI, muitas pessoas acreditam que a palavra “saudade” não tem tradução noutros idiomas. Já nesta época, António Sérgio explicou que tal vocábulo existe em línguas tão diversas como o galego, catalão, italiano, romeno, sueco, dinamarquês e islandês. Bibliografia: António Sérgio: Epístola aos Saudosistas, Revista Águia, 2ª Série, nº 22, Abril de 1913, p. 97-103. Mota, Carlos Alberto Magalhães Gomes; Belo, José Manuel Cardoso; Cruz, Maria Gabriel Moreno Bulas: A Polémica entre António Sérgio e Teixeira de Pascoaes, Vila Real, UTAD, 1998, ISBN 972-669-345-5 |